José Alberto Oliveira: Simpósio
Hoje aconteceu-me comemorar
os dias que me faltam para a morte –
quantidade tão imprevisível e deselegante,
como teorema sem demonstração.
Surpreendeu-me o que havia de bizarro,
não estar disposto a recordar (renego
tal exercício complacente) e ceder
à exuberância do que me resta
viver, por mais amargo que seja.
Comemorei a sós e em silêncio –
quem iria partilhar tal empenho
funesto? Mas foi uma boa festa –
vinho, lombo de porco, um cálice
de aguardente e dois ou três cigarros
a platinar a ganga. Tentarei (se tal
for possível, claro) repetir um dia
destes – faz bem à alma a ilusão
de que a morte, para já, pode esperar.
-
José Alberto Oliveira
os dias que me faltam para a morte –
quantidade tão imprevisível e deselegante,
como teorema sem demonstração.
Surpreendeu-me o que havia de bizarro,
não estar disposto a recordar (renego
tal exercício complacente) e ceder
à exuberância do que me resta
viver, por mais amargo que seja.
Comemorei a sós e em silêncio –
quem iria partilhar tal empenho
funesto? Mas foi uma boa festa –
vinho, lombo de porco, um cálice
de aguardente e dois ou três cigarros
a platinar a ganga. Tentarei (se tal
for possível, claro) repetir um dia
destes – faz bem à alma a ilusão
de que a morte, para já, pode esperar.
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José Alberto Oliveira
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